Se você responder a uma dessas questões abaixo positivamente, pode estar desenvolvendo uma DTM / DOR OROFACIAL e deverá procurar um especialista em disfunção temporomandibular e dor orofacial.
Informações gerais sobre Dtm e Dor Orofacial em forma de perguntas e respostas.
1- Qual o perfil de um paciente portador de dor de cabeça relacionada à DTM (disfunção temporomandibular) e dor orofacial?
R- O paciente portador desta disfunção é um portador de dor crônica, devido a demora de anos para procurar ajuda, alguns relatam que já acostumaram a viver com a dor, em virtude dos sinais e sintomas serem um tanto subjetivos podendo estar ligados a outros problemas médicos como: depressão, otológicos, enxaqueca, dificuldade visual. Estes pacientes quando me procuram geralmente relatam uma verdadeira "via sacra" à procura de tratamento, são atendidos por todos e ao mesmo tempo por ninguém, estão perdidos, sem direção e desamparados, e o pior, continuam levando a vida acompanhados de suas dores e segundo o relato de alguns: uma vida sem cor, uma vida em branco e preto. No aspecto psicológico observamos que este paciente dificilmente consegue colocar limites nos outros, apresenta dificuldade no dia a dia em: dizer não, em delegar tarefas aos outros (pois imagina que ninguém poderia fazer melhor que ele), em dedicar um pouco de tempo para si mesmo, enfim este tipo de paciente tem que aprender a dosar com equilíbrio e a viver um pouco mais para a realização de seus desejos, objetivos e sonhos e não tanto em função dos outros.
2- Se eu me encaixar neste perfil, o que devo fazer para ficar livre da dor?
R- Em primeiro lugar, o paciente deverá ter "vontade" de se curar, não se conformar em sentir dor, e, procurar ajuda. Esta patologia não escolhe classe social, sexo, nem idade. O correto é procurar um profissional especialista em DTM e Dor orofacial, que estará apto a realizar um diagnóstico diferencial de todas as outras dores que se manifestam nesta área, tratar o que for de seu âmbito ( dores de cabeça relacionadas à ATM e aos músculos da mastigação ), e encaminhar o que não for para outros especialistas. E só um profissional especializado pode entender os mecanismos da dor e interpretá-la nos seus aspectos subjetivos, pois esses são os mais importantes a serem considerados no diagnóstico elaborado pelo profissional, pois a dor, sendo subjetiva, tem sua intensidade variada de acordo com o individuo, com seu estado emocional e com a sua doença .
3. Qual é a atuação do cirurgião dentista em Disfunção Temporomandibular ( DTM ) e Dor Orofacial?
R- O cirurgião dentista, que se propõe tratar DTM e Dor Orofacial, recebe um treinamento intensivo com o objetivo de diagnosticar e tratar os casos de dores agudas e controlar de uma maneira mais eficiente os casos de dores crônicas, que se originem e se manifestem no complexo orofacial. Este profissional deverá estar também habilitado a realizar o diagnóstico diferencial de outras patologias que possam gerar dor neste segmento.
4. O que é um diagnostico diferencial?
R- Na maioria das vezes em um quadro doloroso pode existir uma sobreposição de sintomas oriundos das mais diversas áreas do organismo. Detectá-los, e entender o complexo mecanismo envolvido neste quadro, deverá ser o objetivo a ser atingido. Sempre o diagnóstico trará conseqüências ao paciente, tranqüilizadoras ou não.
5. Qual é a relação da oclusão dental e as DTMs ?
R- Na literatura atual, vários estudos foram realizados com a finalidade de se determinar a real contribuição da oclusão para o desenvolvimento da DTM , entretanto os resultados destes estudos tem se mostrado controversos.
Dados atuais mostram com clareza que em cerca de somente 3 % dos pacientes com DTM , o fator causal da doença está relacionado à sua oclusão.
6. Qual é o perfil do paciente com DTM ?
R- Alguns autores chegam a dizer que esta é uma doença própria das mulheres em fase reprodutiva ( 15 a 45 anos). Há em média uma proporção de 9 mulheres para cada homem. Sua incidência anual é baixa, cerca de 1% à 2% por ano (estimativa Sueca); se extrapolarmos para o Brasil deveremos ter cerca de dois milhões e meio a três milhões de novos pacientes com DTM por ano. Sua prevalência é maior, pois a DTM é uma patologia de longa duração. Um grande número dos pacientes com DTM que nos procura relatam uma verdadeira "via sacra" a procura de tratamento, este paciente se sente perdido sem saber onde se tratar, com quem se tratar, e o pior, não sabem nada sobre a doença para a qual procuram tratamento. Relata-nos o uso de dispositivos oclusais, colocação ou troca de próteses, tratamento ortodônticos ou ortopédicos, uso inadequado de medicamentos e até cirurgias. Muitos destes procedimentos são realizados de maneira correta dentro das especialidades, porém sem nenhum efeito em relação à DTM . No aspecto psicológico observamos algumas características peculiares na maioria dos pacientes como dificuldade em: dizer não, delegar tarefas aos outros, dedicar um pouco mais de tempo para si mesmo, ter algum hobby, impor limites aos outros, não se sobrecarregar, etc.
7. Quais são os sinais e sintomas mais comuns em pacientes com DTM ?
R- Dor de cabeça e/ou na face, sons e/ou dor ao abrir/fechar a boca, dificuldade de abrir a boca ao acordar, sensação de cansaço e/ou dor ao mastigar, bocejar e ao acordar, travamento ao abrir/fechar a boca, alteração brusca na oclusão dental, realizar movimentos não lineares ao abrir/fechar a boca e alguns tipos de zumbido nos ouvidos, entre outros.
8. Como é a atuação do cirurgião dentista em DTM em pacientes portadores de zumbido no ouvido?
R- Alterações da musculatura da mastigação podem alterar estruturas anatômicas que estão relacionados diretamente com a orelha média e o sistema auditivo. Diante dessas alterações devemos atuar de maneira multidisciplinar, ou seja, com profissionais de áreas afins (neuro ou otorrino) objetivando assim a melhora de nosso paciente.
9- Quais seriam os possíveis fatores contribuintes na etiologia da DTM ?
R- Poderíamos citar como fatores contribuintes: traumatismos, hábitos posturais, hábitos parafuncionais, fatores genéticos, condicionamento físico, qualidade do sono, nutrição, consumo de água, consumo de álcool, consumo de cafeína, fatores psicológicos, gênero, respiração inadequada, dor etc.
10- O que é o Bruxismo? E como posso saber se tenho esse problema?
R- Se o paciente acorda e os músculos da sua mandíbula estão doloridos ou com dor de cabeça,ele pode estar sofrendo de bruxismo - um ranger ou um forte apertar dos dentes. O bruxismo pode fazer os dentes ficarem doloridos e, às vezes, partes dos dentes são literalmente desgastados. Eventualmente, o bruxismo pode acarretar a destruição do osso circunvizinho e do tecido da gengiva. O Bruxismo também pode levar a problemas que envolvam a articulação da mandíbula, (como a disfunção temporomandibular - DTM ).Para muitas pessoas, o bruxismo é um hábito inconsciente. Estas pessoas podem nem mesmo perceber que estão fazendo isto, até que alguém comente que elas fazem um horrível som de ranger de dentes enquanto estão dormindo. Para outras pessoas, é quando fazem um exame dental rotineiro e descobrem que seus dentes estão desgastados ou o esmalte de seu dente está trincado. Outros potenciais sinais de bruxismo incluem dor na face, na cabeça e no pescoço.
11- Qual a sua opinião sobre a terapia medicamentosa na DTM e na dor orofacial?
R- Alguns profissionais da área são contra medicação, durante a terapia. Quando tratamos pacientes com dor temos que ter critérios muito rígidos para a medicação desses pacientes.